ESCLARECIMENTOS
Após anos treinando o Karate Yobukan,
minha mulher resolveu aprender Yôga.
Isso aconteceu através do convite feito
pela namorada de um dos nossos faixas pretas.
Então comecei a dar uma “olhadinha”
nos livros do Mestre DeRose e fui descobrindo
que temos muitas coisas em comum. Inclusive
o próprio DeRose treinou karate nos
velhos tempos. Assim sendo faço
minhas as suas palavras. Penso que
se eu escrevesse a respeito dos discípulos,
meus alunos pensariam que seria uma coisa
pessoal, e tendo sido escrito pelo Mestre
DeRose, que não pertence ao nosso grupo,
meus alunos entenderiam melhor. Espero que
mediante uma metáfora vocês possam
compreender melhor a dinâmica de relacionamento
no nosso Karate & Auto-Defesa Yobukan.
Tudo
o que está escrito abaixo foi tirado
do livro YÔGA: MITOS E VERDADES
escrito pelo Mestre DeRose.
HERANÇA
CULTURAL DO SWÁSTHYA YÔGA
Ninguém vive para sempre. Portanto,
é bem possível que neste justo
momento em que você está lendo
sobre a minha vida, eu já não
a esteja vivendo.
Por outro lado, que circunstância emocionante!
Você estar conversando comigo depois
de eu já ter passado para o outro lado!
Isso é uma grande vantagem, pois, assim,
posso estar bem aí ao seu lado, dialogando
efetivamente com os seus pensamentos. Já
imaginou? Poderemos comunicar-nos por via
direta muito mais facilmente.
Mas talvez eu ainda esteja no corpo físico
enquanto você conclui a leitura deste
livro. Nesse caso, gostaria muito de poder
contar com a sua simpatia e apoio no momento
em que ainda preciso disso e no qual ainda
posso agradecer. Não faça como
tanta gente que espera os outros morrerem
para, então, louvá-los. Apoie-me
agora!
O Yôga me proporcionou muita vitalidade,
contudo, tenho consciência de que esmerilhei
a saúde para desempenhar a missão
que assumi. Como doava ao Yôga tudo
o que ganhava nos primeiros vinte e cinco
anos de trabalho, passei todo esse tempo sem
ter casa. Sem casa, precisei comer na rua
todos esses anos, conseqüentemente, alimentei-me
mal.
Para piorar o desgaste, viajei incessantemente,
dando aulas em praticamente todas as Universidades
Federais e Católicas do extremo Sul
ao extremo Norte do Brasil. Ainda viajei quase
todos os anos para a Índia e Europa,
sempre em missão.
Nessas duas décadas e meia não
tive férias e trabalhei cada sábado,
domingo e feriado.
Mantive a tensão sob controle com as
técnicas anti-stress do Yôga,
mas tudo tem um limite. Tive consciência
o tempo todo de que estava comprometendo a
expectativa de vida. Porém, tinha que
ser assim. Não vai aqui nenhuma queixa.
Estou feliz e, se precisasse, faria tudo outra
vez. Quiçá, com mais experiência,
errasse menos...
Gostaria que este capítulo fosse meu
testamento público, não de bens,
mas de idéias. Nos nossos livros e
vídeos deixei exaustivamente claras
as minhas posições, princípios,
aspirações, lutas, receios,
desaprovações e assim por diante.
Nada me deixaria mais desgostoso do que ver
pessoas fazendo o oposto daquilo que preconizei,
sob a justificativa de estarem seguindo minhas
propostas. Se reconhecerem que não
gostam do autor ou do seu método está
bem, afinal respeito a liberdade de pensamentos
e é impossível agradar à
humanidade inteira. O que repudio é
alguém declarar-se discípulo
e simpatizante, porém agir ou falar
em desacordo.
Também seria muito triste tais supostos
discípulos deturparem meus ensinamentos,
falsificarem meus textos ou até brigarem
entre si, sob o pretexto da lealdade. Isso
já aconteceu com todos os agrupamentos
humanos, fossem eles religiosos, filosóficos,
políticos, esportivos, empresariais.
Ocorreu até mesmo com o Swásthya,
estando eu vivo. Por excesso de zelo, alguns
discípulos de Portugal quase transformaram
nossa obra em uma ideologia fanática.
Acho que confundiram minha posição
categórica com uma postura intolerante.
O
QUE EU ESPERO DE VOCÊ
1. Espero que você não se deixe
manipular ou doutrinar por ninguém
e, certamente, nem por mim. Não desejo
convencê-lo de coisa alguma. Estou apenas
expondo pontos de vista. Se você sintonizar
com eles, caminharemos juntos. Caso contrário,
cada um de nós seguirá o seu
caminho.
2. Se você escolher trilhar comigo,
espero que não se deixe seduzir pelo
misticismo, por seitas, nem pela misturança
com outras ciências, artes, filosofias,
estudos, ideologias, tampouco pelos demais
tipos de Yôga. Que respeite e perpetue
a pureza da nossa estirpe. Vá fundo,
mergulhe de cabeça, seja leal, dedique-se
a uma coisa só. Não misture
com mais nada. Não estou interessado
em quem ainda está na fase da busca.
Um buscador não é um “achador”.
Ele se diverte e satisfaz-se com a fruição
da busca em si. Achar, seria um estraga-prazeres,
pois interromperia o divertimento. Busca hoje
aqui, amanhã ali, depois acolá.
Não se pode confiar nesse tipo de gente.
Quero pessoas que não sintam a compulsão
neurótica de buscar, buscar, buscar.
Quero gente que tenha se encontrado no Swásthya
e que isso seja definitivo.
3. Espero que você tenha flexibilidade
e reflexo suficientes para me acompanhar nas
minhas guinadas, quando forem necessárias
mudanças de rumo. Se vamos dançar
juntos, não fica bem eu dar um giro
e você ficar parado, duro, no mesmo
lugar.
4. Espero que você entenda o quanto
é importante neste momento histórico,
divulgar e ensinar o Swásthya Yôga,
bem como preparar mais pessoas para que venham
a se tornar instrutores sob a minha supervisão
direta, já que fui eu quem sistematizou
o método. É importante o efeito
multiplicador, a reação em cadeia
para fazer crescer a nossa família
até que chegue a um nível ótimo
de estabilidade, isto é, que a coisa
flua sozinha e sem esforço, a fim de
que as próximas gerações
não precisem lutar e trabalhar tanto
quanto os pioneiros, os quais, afinal, sacrificaram-se
excessivamente. Quando atingirmos esse ponto,
será necessário saber parar
de crescer para não desvirtuar a qualidade.
A partir daí passará a ser prioridade
investir ainda mais esforços para o
aprimoramento técnico, cultural, ético
e recreativo.
5. Espero que você (sendo praticante
ou instrutor) tenha a combatividade necessária
para defender o nosso método de Yôga,
energicamente, sempre que for preciso. Entretanto,
para isso, aplique a elegância, a educação
e a cultura. Essas três forças
devem ser empunhadas com uma potência
avassaladora.
6. Espero que você seja, ou torne-se,
uma pessoa de excelente cultura, que tenha,
ou adquira, uma ótima aparência
pessoal e ascenda constantemente na escala
social. Saúde, alegria, excelente lay-out
e sucesso na vida, são fatores fundamentais
para que você se revele um bom representante
do nosso recado.
7. Espero que você saiba distinguir:
Swásthya Yôga é o método,
e Uni-Yôga é uma entidade à
qual você poderá estar filiado
ou não. Você pode não
estar pertencendo aos quadros da União
Nacional de Yôga e, contudo, estar praticando
ou ensinando o Swásthya. Uma coisa
não tem nada a ver com a outra. Se
você for instrutor, tem um Supervisor.
Há compromissos de honra, contrato
legal e deveres morais entre você e
ele. Mesmo que não esteja filiado à
União, seus compromissos e deveres
com o Supervisor permanecem vigendo e precisarão
continuar sendo honrados.
8. Espero que entre os instrutores do nosso
método de Yôga e entre os membros
da Uni-Yôga jamais ocorram disputas,
concorrência, inveja, intolerância
ou desunião, como temos visto no ambiente
de outros tipos de Yôga ou de outras
instituições. Ninguém
é obrigado a gostar de todo o mundo,
portanto, se você não simpatizar
com algum companheiro, mantenha em relação
a ele uma distância cordial, mas nunca
o antagonize. A força está na
União; na separação,
a fraqueza. Nós venceremos nossos opositores
por eles disputarem entre si, enquanto nós
nos apoiávamos uns aos outros. Jamais
hostilize um colega de Swásthya Yôga.
Todos têm alguma virtude. O importante
é saber garimpá-la.
9. Por outro lado, não se deixe iludir
pelos que quiserem fazer-se passar por gente
nossa. O fato de ensinar o nosso método
não significa que seja simpatizante
ou que esteja engajado conosco. Pergunte-se
sempre: um instrutor que seja realmente amigo,
aliado, que goste de nós como alardeia,
por que não está associado conosco
na União Nacional de Yôga?
O que mais existe são pessoas que declaram:
“Mestre, eu estou sempre com você,
participando à distância, e sempre
lhe apoiei”. Mentira! Não estão
comigo nem me apóiam. Se nossa Obra
dependesse delas, não existiria mais.
Se eu dependesse delas para viver, teria morrido
de fome. Não contribuem com coisa alguma.
Dizem-se meus amigos, mas não concordam
comigo, não compreendem o valor do
nosso trabalho, nem gostam de mim o suficiente
para querer participar da União Nacional
de Yôga; não contribuem com a
Supervisão; e não comparecem
aos cursos e eventos. São falsos e
hipócritas!
Sei que quando eu faltar, muitos dos que me
traíram, perseguiram, excluíram,
difamaram e execraram, vão querer lucrar
em cima do Swásthya e da Uni-Yôga,
tal como as tantas pessoas que reconhecem
que o nosso é o melhor método
de Yôga, mas não admitem retribuir
com o devido reconhecimento ao seu sistematizador
e declaram: “O Swásthya Yôga
é excepcional, mas o DeRose eu não
aceito: ele é brasileiro”!
Já imaginou se a União viesse
a cair nas mãos justamente dos que
a combateram?
Bastaria você e os demais não
estarem atentos a estas advertências
e recomendações.
DISCÍPULOS
E INDISCÍPULOS
Existem vários tipos de discípulos
e diversas fases no discipulado de cada um.
Contudo, há procedimentos mais freqüentes
que eu gostaria de comentar. É oportuno
lembrar que discípulo não é
o aluno comum e sim o instrutor formado, o
qual é forçosamente supervisionado
por um Mestre. Por extensão, pode ser
considerado como discípulo o estudante
veterano, absolutamente leal e comprometido
com a proposta do Mestre. Fora isso, todos
os demais são considerados apenas alunos
e não discípulos. Mas também
tem alguns que, na realidade, são é
indiscípulos!
QUE
TIPO DE DISCÍPULO É VOCÊ?
Freqüentemente as pessoas julgam-se a
si mesmas com condescendência. Será
que aos olhos do seu Mestre você é
o tipo de discípulo que supõe
ser? Você se importa? Se você
se importa com a imagem que possa ter perante
o seu Supervisor e esforça-se para
melhorar, escreva ao seu mestre informando
em que tipo de discípulo você
acha que se enquadra. Se você não
escrever é sinal de que não
se importa. Ou, quem sabe, importa-se tão
pouco que nem chegou a registrar esta solicitação.
O
DISCÍPULO QUE NÃO ASSUMIU O
MESTRE
É aquele que leu o livro Yôga,
Mitos e Verdades, não concordou porém,
fingiu que sim. Leu o Contrato de Supervisão,
não prestou atenção,
mas declarou que não havia dúvidas
e os assinou. Não deu importância
à cerimônia de Confirmação
com o Mestre e prometeu que cumpriria os compromissos,
apesar de não ter a intenção
de cumprir coisa alguma. Leu o texto Um Tranco
do Mestre, e discordou das colocações.
Este é o tipo de discípulo que
desobedece as recomendações
do Mestre, ministra uma interpretação
do Swásthya Yôga de autenticidade
duvidosa, incompleta, truncada e distorcida.
Constantemente tem um comportamento espiritualista
ou alternativo. É anarquista ou festivo
na maneira de tratar o Yôga. Não
é profissional. Costuma não
pagar a taxa de supervisão. Ou, então,
engana-se sobre o valor devido na contribuição.
Ou contribui de forma irregular. Aliás
vive enganando-se em tudo. Flagrado, pede
desculpas, diz que o fato não se repetirá,
mas continua “esquecendo-se”,
“enganando-se” e “não
entendendo”...
Pela frente, chama “querido Mestre”,
sorri e paparica. Por trás, faz o que
quer, descumpre, mescla, distorce. Costuma
fazer outros cursos apócrifos, não-pertinentes
e não-autorizados; freqüenta outras
instituições que nada tenham
a ver com a nossa linhagem e mistura tudo,
embora negue estar misturando. Não
raro, relaciona-se com nossos opositores.
Pelas costas do Mestre diz que não
concorda com ele nisto ou naquilo.
Em geral, não forma instrutores. Quando
os forma, são indisciplinados. Não
ajuda o crescimento do Swásthya Yôga
nem o da União Nacional de Yôga.
Não os sente como sendo seus e sim
como algo que pertence ao DeRose. Tem medo
de concorrência dos seus próprios
alunos e dos demais companheiros da União.
Ao ler estas linhas, vai pensar que não
é com ele. Que ele não se enquadra
nesta descrição.
Pergunto-me se não seria melhor não
tê-lo como discípulo! Pois tê-lo
e nada, dá na mesma.
O
DISCÍPULO DURÃO
Ele leu muito bem todos os nossos livros para
descobrir as contradições e
para poder criticar as falhas da obra. Leu
os demais livros recomendados e todos os textos,
como o Contrato de Supervisão e o Um
Tranco do Mestre. Estudou diligentemente cada
palavra, cumpre tudo ao pé da letra
e procura ser um yôgi exemplar. Este,
de fato, não fuma, não bebe,
não come carnes, não toma drogas,
pratica bastante, estuda em excesso, forma
instrutores e é rígido com seus
alunos.
O Swásthya Yôga que este tipo
de discípulo transmite é tão
exigente que corre o risco de ficar distorcido
para o outro lado, por excesso.
Ele é antipático com os alunos,
arrogante com os outros instrutores e insolente
para com o seu Mestre. Tem complexo de superioridade,
acha que é melhor do que os demais
e pensa que ninguém está percebendo
isso. É extremamente orgulhoso, mas
nega. Está sempre discordando. Vê
defeito em tudo.
Costuma questionar as recomendações
do Mestre, sendo grosseiramente franco em
um abusivo desrespeito aos princípios
de hierarquia. Contesta as normas vigentes
(embora cumpra-as zelosamente), dizendo que
isto e aquilo não está certo
e que as normas estão longe de serem
perfeitas. Alguns chegam a dar sugestões
fantasiosas e inviáveis para mudar
as regras a fim de adaptá-las às
suas próprias conveniências oníricas.
Este tipo de discípulo faz cobranças
a todo o mundo, inclusive ao próprio
Mestre. É tão egocêntrico
que ao ler esta descrição, vai
pensar que escrevi isto pensando só
nele e que esta é uma indireta pessoal.
E melindrar-se-á!
É um chato. Seria ótimo tê-lo
como discípulo desde que não
tivesse que falar com ele jamais. É
cansativo, estressante, irritante.
O
FALSO DISCÍPULO
Este é um caso mais simples. Ele queria
o certificado de instrutor para trabalhar
e como o nosso, além de ser o mais
respeitado, é o único com validade
legal, teve que aceitar as normas. Leu todos
os textos atentamente, discordou de tudo,
considerou tudo muito radical, um absurdo,
mas mentiu declarando que compreendia e que
aceitava todas as imposições,
só para poder receber o certificado.
Durante o curso, sentiu-se agredido. Ao pedir
alguma autorização ao Supervisor,
sentiu revolta. Ao receber o kripá,
considerou ridículo. Durante o curso,
as provas, os congressos, até na correspondência
que troca conosco, é sempre um criador
de casos. Está sempre engatilhado para
pôr defeito, o tempo todo armado contra
nós. Costuma tratar mal os secretários
e demais pessoas incumbidas de fazer cumprir
as ordens superiores.
Ao conversar com outros instrutores e alunos,
comporta-se como um instigador, um inimigo
infiltrado, tentando o tempo todo semear dúvidas,
insatisfações e discórdias
em relação ao nosso trabalho,
filosofia ou regulamentos.
A maioria dos que constituem este tipo de
discípulo é proveniente de outros
ramos de yôga, ideologias espiritualistas
(como a Rosacruz, Teosofia, Antroposofia,
etc.) ou ainda da Macrobiótica, Rajneesh,
Hare Krishna, Brahma Kumaris, Ánanda
Marga, GFU e outras seitas.
Freqüentemente, esquiva-se às
revalidações. Jamais paga corretamente,
reclama direitos que não tem, pois
não pagou por eles. É agressivo,
mal-educado, irracional.
Costuma terminar sendo expulso com desonra.
O
DISCÍPULO VOLÚVEL
Ele pensa que é esperto, mas na verdade
é um mau-caráter. Usa um Mestre
para aprender tudo o que lhe interessar. Depois,
troca-o por um outro que não tenha
nada para ensinar, mas que seja hindu e, de
preferência, famoso, que o mundo todo
conheça, pois, assim, quando lhe perguntarem:
“quem é o seu Mestre?”
poderá responder, orgulhoso, que é
Sivánanda, Aurobindo, Mukhtánanda,
Satyánanda... Talvez por isso o Código
de Ética da International Yôga
Teachers Association considere anti-ético
declarar-se discípulo de Mestres famosos.
Se o Mestre hindu for falecido é melhor
ainda, pois um Mestre morto não pode
chamar a atenção do discípulo.
Além do mais, se o Mestre estivesse
vivo, ele poderia aceitar o estudante ou não.
Caso não o aceitasse você não
poderia declarar-se discípulo dele.
Mas, se o Mestre for falecido, não
terá como tornar público que
você nunca foi aceito por ele como discípulo!...
É muito conveniente.
O discípulo volúvel apresenta
uma desculpa para sua atitude censurável.
Afirma que o aprendiz deve usar os Mestres
como quem sobe uma escada e, portanto, deve
ir trocando de Mestres à medida que
sobe. “É que já aprendi
tudo o que podia com este, agora preciso de
um mais avançado”, justifica.
Ele usa seu Mestre como um degrau para chegar
noutro Mestre, tal como algumas mulheres de
caráter duvidoso usam um homem de alguma
influência para chegar noutro supostamente
mais importante, e assim sucessivamente.
Quando conhecer um instrutor de Yôga
que tenha trocado seu Mestre brasileiro por
um Mestre hindu, saiba que está diante
de uma pessoa que cospe no prato em que comeu.
Ele não merece o seu respeito nem a
sua confiança.
O
DISCÍPULO QUE MATA O MESTRE
Nas Artes Marciais do Oriente há um
provérbio que diz: o melhor discípulo
é o que vai matar o Mestre. “Matar”,
na maior parte das vezes, é simbólico,
no sentido de enfrentar, opor-se, medir forças,
tentar vencer o Preceptor. Se conseguir, pode
matar a carreira profissional dele, ou, pelo
menos, comprometê-la.
Tal procedimento destrutivo explica-se. É
que, muitas vezes, o melhor pupilo, o mais
esforçado, um dia, para mostrar ao
seu Mestre que aprendeu tudo muito bem, lamentavelmente
quer provar que é melhor que ele. Então,
desafia-o. Tudo é uma questão
de ego. Esse fenômeno ocorre, não
raro, entre filhos e pais, quando os primeiros
procuram demonstrar a si mesmos e ao mundo
que são melhores que seus genitores.
No Yôga isso também ocorre. Felizmente,
não é sempre, e não é
forçosamente o melhor discípulo
que vai aprontar.
Mas o karma não perdoa. Todos os que
agiram mal com seus Mestres pagaram caro por
isso. A história registra muitos casos
célebres. O repúdio dos demais
instrutores exclui e isola o traidor. Todos
pensam: quem trai seu próprio Mestre,
o que não fará com seus colegas?
Seus alunos raciocinam da mesma forma e perdem
o respeito por ele. Finalmente, vítima
do seu orgulho, falta de humildade e de gratidão,
termina execrado por todos. Passa a amargar
uma carreira que não terá mais
o mesmo brilho. Depois não adianta
deplorar o sucesso perdido, o qual só
teria sido possível caso contasse com
o apoio e a recomendação do
seu Mestre e de todos os seus colegas, discípulos
dele, se não tivesse feito vergonha.
O
DISCÍPULO ANTROPÓFAGO
Há um tipo de discípulo que
canibaliza o Mestre. Ele não consegue
entender que o Mestre não existe para
serví-lo. Por isso, acha perfeitamente
normal solicitar o Mestre. Geralmente é
uma pessoa querida, mas que pede, usa, cobra,
faz uma pergunta atrás da outra, escreve
cartas maiores do que as boas maneiras permitiriam
e, depois, ainda reclama se o Mestre não
consegue responder.
É um carente, que precisa de atenção.
Por isso, costuma ser afetuoso e simpático.
Seria muito gratificante ter uma pessoa assim
no nosso círculo de estudos e trabalho,
desde que não solicitasse tanta atenção.
Até os próprios relacionamentos
afetivos e conjugais não resistem e
naufragam quando um dos parceiros tem esse
defeito de personalidade.
Nossa recomendação veemente
para o discípulo antropófago
é a de que leia muitas vezes o capítulo
que fala sobre a relação Mestre/discípulo
na tradição oriental, no livro
Faça Yôga, que releia todo o
livro Boas Maneiras no Yôga e que assista
o vídeo sobre Guru sêva.
O
DISCÍPULO QUE NÃO É DE
NADA
Também tem aquele que olha meloso,
faz declarações de fidelidade
eterna, diz que um dia vai começar
a lecionar, que vai se dedicar com seriedade
à nossa missão, mas... os anos
passam e esse discípulo não
faz nada. Tudo para ele é difícil.
Olha o mundo como se todos lhe fossem superiores.
E ele, incompreensivelmente, não consegue
enfrentar os desafios que os outros solucionam
com tanta naturalidade. Trabalhar com profissionalismo,
ensinando somente Yôga, representa uma
barreira subjetiva que, não se sabe
porquê, ele não supera... Abrir
uma Unidade, um Núcleo de Yôga,
“agora não dá”,
“você pensa que é fácil?”...
Participar de um evento constitui um problema:
é longe, é caro, é de
noite... Organizar um curso na sua cidade
é impensável, tamanhas as dificuldades
que ele mesmo coloca, comparando sua pequenez
com a estatura da promoção...
Passa anos prometendo que quando os filhos
crescerem, ou quando se divorciar, ou quando
se aposentar, ou, ou, ou... Todos os seus
colegas já realizaram alguma coisa
importante, mas o discípulo que não
é de nada vara os anos suspirando e
prometendo que um dia, quando der, fará
alguma coisa. E não faz!
A vida passa, os filhos crescem, o divórcio
ocorre, a aposentadoria chega, a velhice toma
posse e um dia o discípulo que não
é de nada morre, obscuro e anônimo,
sem ter realizado coisa alguma por si próprio,
nem pela Humanidade, nem pelo Yôga.
O
DISCÍPULO LEAL AO ENSINAMENTO DO MESTRE
Há dois tipos de discípulo leal:
um que é leal às coisas que
o Mestre preconiza; outro que é leal
ao Mestre. O primeiro defende as idéias
do Preceptor, mas não defende o próprio
gerador das idéias. Pelos ensinamentos
do Mestre é capaz de brigar com os
outros e até com o próprio Mestre!
Elegeu o Mentor apenas pela constatação
de que aquilo que ele propunha se enquadrava
nas suas conveniências. No dia em que
o Mestre disser alguma coisa com a qual não
concorde, ao invés de adaptar-se e
incorporar essa nova ótica, o aprendiz
rejeitará o Mestre. Ele usa o Mestre
enquanto útil, depois cospe fora.
O discípulo leal apenas aos ensinamentos
do Mestre acaba tornando-se seu inimigo. Artrosa-se
naquilo que o Mestre ensinara e não
consegue evoluir junto com ele. Com o passar
dos anos, o Mestre cresce, aperfeiçoa-se
e vê o Universo cada vez com mais amplitude
e mais clareza. Aí tal discípulo
questiona que o Supervisor não está
sendo coerente com seus próprios ensinamentos,
que está traindo o que sempre pregou,
que está enlouquecendo... e vira-lhe
as costas, não raro difamando-o e instigando
os outros discípulos a que também
lhe façam oposição.
O
DISCÍPULO LEAL AO MESTRE
Por outro lado, o discípulo leal ao
Mestre é fiel, independentemente da
mensagem. Não está com o Mestre
por concordar com o que ele diz e sim concorda
com o que o Mestre diz porque está
com ele!
Se o Mestre evolui, esse segundo tipo de discípulo
leal evolui junto. Se o Mestre muda, o discípulo
muda junto. Confia no Mestre, acata sua ascendência,
oferta-lhe um voto de confiança pelos
anos de estrada ou simplesmente segue-o por
amor, pela satisfação em estar
junto.
Se o Mestre pára de ensinar Yôga
e passa a ensinar ping-pong, o discípulo
leal ao Mestre vai junto, por amor, por confiança,
por prazer de permanecer ao seu lado. “Se
uma pessoa da estatura do meu Mestre mudou
– deduz – é porque já
descobriu algo que ainda não compreendi.
Então, vou segui-lo, afinal é
meu Mestre”.
O
DISCÍPULO IDEAL
Ele
existe, sim! E, por incrível que pareça,
é mesmo a maioria. Alguns dos exemplos
anteriores é que são as exceções.
Felizmente!
O discípulo ideal é simpático,
gosta de colaborar, compreende nossas razões
e tem satisfação em cumprir
todas as determinações.
Leu todos os textos com uma disposição
positiva, compreendeu e não comete
erros, pois considera tudo tão simples,
claro e óbvio, que ele não entende
a confusão que alguns fazem.
Ao ler Um Tranco do Mestre procurou pensar
bem se alguma daquelas advertências
podia servir para ele. E, honestamente, concluiu
que não. Mesmo assim, consultou seu
Mestre, só para confirmar!
Paga tudo irrepreensivelmente, quantias corretas
nas datas certas. Revalida pontualmente, prepara
novos instrutores todos os anos, seus alunos
são disciplinados e, pelo olhar deles,
percebe-se que gostam da gente.
Comparece a todos os cursos, congressos, festivais,
estágios, seminários, convocações.
Divulga tudo e traz mais gente, promove cursos
e eventos, convida o Mestre para ministrar
cursos e nunca deixa a Uni-Yôga de fora
quando realiza algo.
Não mistura Yôga com nenhuma
outra disciplina, arte, ciência ou filosofia.
Não participa de cursos apócrifos.
Não freqüenta instituições
concorrentes. Não confraterniza com
nossos detratores. É leal, disciplinado,
amoroso e ético.
Consulta sempre o seu Mestre. Dá sugestões,
mas sem críticas nem cobranças.
Quer servir e ajudar. Por outro lado, aceita
críticas sem se ofender, e até
mesmo as pede. Aliás, não se
ofende nunca, uma vez que o amor em seu coração
pelo Mestre é tanto que não
sobra lugar para suscetibilidades.
Pela frente, trata o Mestre com carinho; por
trás, defende-o com lealdade. Para
este, está tudo certo e perfeito: os
cursos, as revalidações, a supervisão,
o Swásthya, a Uni-Yôga, até
mesmo as guinadas do Mestre.
Reencontrá-lo é sempre uma festa,
conversar com ele, uma descontração.
É uma pessoa que queremos como nosso
amigo pessoal.
Ao ler esta descrição ele se
identifica, reconhece o seu valor e fica feliz
por saber que nós o valorizamos pelo
que ele é.
MESTRE
& DISCÍPULO do livro YÔGA:
MITOS E VERDADES escrito pelo Mestre
DeRose
Jonery Henrique dos Santos - www.yobukan.com.br
Professor de Educação Física
- CREF 00937-G/PR
Pós-Graduado na Ciência da Musculação
e da Preparação Física
YobukanOss